25/07/2026
Quando a herança dos imigrantes vira identidade: o legado alemão preservado pela Oktoberfest de Igrejinha

No Dia do
Imigrante, festa revela como gastronomia, música e tradições ajudam a contar a
história da colonização alemã no Vale do Paranhana
Há histórias que permanecem vivas
porque continuam sendo contadas. Outras ganham espaço nos gestos do cotidiano,
nos sabores compartilhados em família, na música que atravessa gerações e nas
tradições que resistem ao tempo. Em Igrejinha, a herança deixada pelos
imigrantes alemães encontra, todos os anos, um espaço para ser revivida na
Oktoberfest, festa que nasceu para celebrar uma cultura que continua fazendo
parte da identidade da comunidade.
A gastronomia típica, as bandinhas,
as danças folclóricas, os trajes típicos, o dialeto alemão e a arquitetura da
Vila Germânica não aparecem na programação apenas como referências ao passado.
São expressões de uma história construída por famílias que trouxeram consigo
costumes, conhecimentos e formas de viver que atravessaram gerações e continuam
presentes na região.
Para a diretora Artístico-Cultural
da Associação de Amigos da Oktoberfest de Igrejinha (Amifest), Liége Brusius,
entender a festa passa, antes de tudo, por compreender a origem da própria
cidade. “A Oktoberfest existe porque ela é uma festa que procura manter viva
essa tradição que ainda hoje marca os nossos interesses, as nossas
características e a nossa forma de viver”, destaca.
Segundo ela, a festa ajuda a
transformar em experiência aquilo que poderia permanecer apenas na memória. Em
vez de ocupar um lugar restrito aos livros de história ou às lembranças das
famílias, os costumes deixados pelos imigrantes continuam sendo vividos,
compartilhados e transmitidos às novas gerações. “A Oktoberfest tem esse papel
de tornar atrativo algo que, para muitos, é passado”, diz.
Tradições
que atravessam gerações
A história
da imigração alemã aparece na Oktoberfest em detalhes que, muitas vezes, passam
despercebidos. Os Jogos Germânicos, por exemplo, têm origem em atividades do
cotidiano dos primeiros colonizadores e transformam antigos ofícios em
competições que ajudam a contar como viviam as famílias responsáveis pela
formação da região. Modalidades como Serra de Duas Pontas, jogo dos pregos,
machado e cabo de guerra nasceram do trabalho nas propriedades rurais e hoje
preservam essa memória de forma lúdica.
A história também está presente no
Stammtisch, encontro em que participantes se reúnem para conversar em dialeto
alemão. Na Vila Germânica, ela aparece na arquitetura inspirada nas construções
típicas e na localização às margens do Rio Paranhana, uma referência aos locais
escolhidos pelos imigrantes para iniciar a vida no Rio Grande do Sul.
Na gastronomia, receitas preparadas
há gerações seguem ocupando espaço nas mesas da festa. Na música, as bandinhas
preservam uma tradição trazida pelos colonizadores e que ainda hoje faz parte
das celebrações da comunidade. Para Liége, é a união desses elementos que dá
sentido à Oktoberfest. “Tudo isso dá a identidade da nossa festa. A nossa festa
cultiva as tradições germânicas e precisa estar atenta para que tudo aquilo que
aprendemos com os nossos antepassados possa, de alguma forma, estar representado”,
reflete.
Olhar
para o futuro sem esquecer as origens
A
continuidade dessa história também depende de quem irá contá-la no futuro. Por
isso, a Oktoberfest investe em iniciativas voltadas às novas gerações, como os
Jogos Germânicos Escolares, os encontros de danças folclóricas infantis e a
escolha anual do Bubchen e Mädchen, representantes infantis da festa que passam
a vivenciar e divulgar a cultura germânica desde cedo.
Para Liége despertar esse interesse
é uma forma de fazer com que a cultura germânica continue presente na vida das
novas gerações, mantendo vivas tradições que fazem parte da história de
Igrejinha. “Nossa Oktober é uma festa plural, que traz experiências atuais, mas
sem nunca abrir mão de trazer também aquilo que nos leva à nossa cultura local.
Somos uma cidade de colonização germânica e os aspectos culturais são os
protagonistas da Oktoberfest de Igrejinha”, conclui.
Celebrado em 25 de julho, o Dia do
Imigrante convida à reflexão sobre a contribuição dos povos que ajudaram a
formar o Rio Grande do Sul. Em Igrejinha, essa herança segue presente muito
além da memória. A cada edição da Oktoberfest, ela ganha voz na música, nos
sabores, na arquitetura, nas brincadeiras e nas tradições compartilhadas entre
diferentes gerações, reafirmando a cultura germânica como parte da identidade
da comunidade.
Sobre a 37ª Oktoberfest de
Igrejinha: o evento acontecerá de 09 a 18 de outubro de 2026, no Parque de
Eventos Almiro Grings, promovido pela Associação de Amigos da Oktoberfest de
Igrejinha (Amifest). A edição terá na presidência Aline Hess e Tiago Rech,
acompanhados do casal vice-presidente Kenny Thomas e Marqueli Heidrich. A
Oktoberfest de Igrejinha se destaca por ser a maior festa voluntária do Brasil,
sendo realizada por mais de três mil voluntários e com o resultado financeiro,
ano após ano, revertido para entidades da região. A 37ª edição conta com
patrocínio da Eisenbahn, Coca-Cola, JBL, Calçados Beira Rio, Usaflex,
Piccadilly, Via Atacadista, Sicoob, Unidasul Rissul, Tintas Killing, Calçados
Bebecê, Banrisul, Eleven Tickets, Bibi, Tacosola, Madeiras Status, Voltec
Soluções em Energia, e com apoio de: Prefeitura de Igrejinha, CTA Internet e
Unimed. Mais informações e ingressos através do site oficial www.oktoberfest.org.br e das redes sociais.




